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Algumas curiosidades que a COVID-19 desafia a discutir.

Por José LAMARTINE de Andrade Lima Neto         

Tenho ficado muito instigado com as coisas que estão ocorrendo no mundo por causa da pandemia da COVID-19. Depois de focar por semanas na busca de informações úteis, acabei saturado de notícias macabras fornecidas pelas redes televisivas. Mudei o foco, fui ver melhor o que os dados sobre a pandemia estavam dizendo. Então estudei tabelas, gráficos, fórmulas e outros dados, afinal com a quarentena tenho mais horas livres do que de costume. Existem muitas coisas importantes e aqui seguem algumas delas:
1 - Este fenômeno de contágio global por vírus, como vários outros fenômenos físicos ou sociais, pode ser explicado por gráficos e equações.
Este gráfico representa o modelo SIR (Suscetíveis,  Infectados e Recuperados) para contágio ao longo do tempo. Começa com uma sociedade totalmente suscetível já que não existem imunizados. À medida que o vírus se instala, verifica-se o início do contágio. Algumas poucas pessoas vão manifestar os sintomas mais graves. Uma quantidade muito maior, cerca de dez vezes mais já que poucos são testados, que também foram expostos ao vírus apresentam sintomas brandos ou mesmo não os apresentam e se curam sozinhos tornando-se imunizados. O que se percebe é que quanto mais pessoas contraem a doença mais rápido vai sendo o crescimento até que a quantidade de pessoas suscetíveis vai decaindo, a de recuperados vai aumentando e, não tendo mais pessoas disponíveis para o vírus atuar já que a maioria está recuperada, acaba a fase de contágio.
2 - O trabalho dos governos é suavizar a inclinação destas curvas para que o pico dos casos de doentes não ultrapasse a capacidade de atendimento do sistema de saúde. Diversos fatores influem para que as curvas de contágio não sejam exatamente iguais em todos os lugares. Em uns lugares são mais aceleradas, em outros mais suaves e tudo tem a ver com o fato de como as pessoas interagem entre si (usam máscaras? Mantem distanciamento social?), a quantidade de vezes com que se dão as interações, a densidade populacional, a temperatura regional, o perfil da população (idosos, doenças pré-existentes etc.). 
3 - A testagem é crucial para se perceber o fenômeno com mais precisão, o que não está acontecendo, poucos são testados. O próprio Ministério da Saúde estima que a subnotificação dos casos de Covid-19 fique entre 90-94%.
Isso quer dizer que os 64 casos confirmados aqui em Jequié (02 de maio) representa cerca de 7% da realidade existindo provavelmente um total de 840 pessoas portadoras do vírus, e dentre estes 20% são assintomáticos (168 pessoas) que são os verdadeiros propagadores do vírus, pois estão indo ao mercado, farmácia, padaria, clínicas e ninguém sabe que estão disseminando o vírus, nem eles próprios. Acredito que o comportamento da disseminação da infecção em Jequié ainda avance muito. Especialistas dizem que não adianta mais fechar o comércio, ou manter o isolamento. Isso seria importante para não deixar o vírus entrar, mas uma vez instalado, a epidemia segue seu curso de contágio. Ações individuais e do estado vão retardar isso, mas não podem mais impedir. Outra coisa: o vírus é muito contagioso, mas tem baixa letalidade.
4 - O exemplo de outros países que não decretaram quarentena restritiva (Suécia, Alemanha, Japão, Austrália) mostra que os problemas não são resolvidos só por leis e decretos, ainda mais se não tiverem a adesão dos cidadãos. Lá, com esclarecimento e educação os cidadãos se sentem responsáveis por suas ações e as consequências decorrentes, os problemas são resolvidos mais facilmente. Não esperam que o estado resolva tudo. 
5 - O foco de atenção da rede hospitalar para tratar casos de COVID-19 fez aumentar os óbitos por outras enfermidades. Em New York aumentou oito vezes as mortes por problemas cardíacos comparada ao mesmo período do ano passado. Os pacientes evitavam sair de casa mesmo se sentindo mal para não correr o risco de pegar a doença nos hospitais, acrescente o medo difundido pelos noticiários e a grande ansiedade contribuindo para suas mortes. 
6 – E por falar em “comparar”, só percebemos a gravidade de uma situação quando a relacionamos com outra equivalente. 
Se tomarmos as mortes decorrentes pela COVID-19 de forma absoluta os números são assustadores e nos levam a decisões difíceis, as vezes equivocadas. Além disso fica difícil a comparação de casos. Tente fazer isso para países que têm populações diferentes, não dá. Então toma-se como referência uma base populacional comum para fazer a análise, por exemplo “x” casos por milhão de habitantes. 
O comportamento da curva de mortes por COVID-19 no Brasil ainda está subindo, porém de forma mais suave e com números muito menores que os de países como EUA, Suécia, Espanha, Inglaterra, França, Itália, Canadá etc. Isso não é um passaporte para relaxarmos nas medidas de proteção já que as coisas sempre podem piorar, depende do que fizermos.
Dados da OMS (02 de maio) indicam que existe no mundo três milhões de casos confirmados de COVID-19 com pouco mais de duzentas mil mortes; o Brasil é um dos países com transmissão comunitária (o vírus já está entre as pessoas nas cidades) e confirmou 85.380 casos e 5.901 mortes pela doença até a tarde do dia 30 de abril de 2020.
7 – A boa notícia para o Brasil é que os especialistas já vêm uma luz no fim do túnel. Chegaram a marcar uma data fim da epidemia entre outubro e novembro de 2020. Por hora, o que vamos testemunhar é um aumento mais rápido do número de casos até chegar ao pico do contágio em meados de maio quando começa a desaceleração mais rápida até julho de 2020. Só nos resta verificar se os especialistas acertarão sua previsão.
8 - A saúde psicológica de muitas pessoas está sendo seriamente afetada e os efeitos provavelmente durarão pelo medo exagerando alterando o comportamento social e em “doses” cada vez maiores. O que sentimos sobre as pessoas ao nosso redor e a quem amamos, mas também sobre estranhos, não há dúvida de que está sendo afetado por essa pandemia. A restrição de deslocamento, a necessidade de proximidade física nas famílias, está revelando muitas qualidades como diálogos, jogos, brincadeiras, estudos, interações sociais virtuais, entre outras, mas em outros casos têm acirrado “defeitos de caráter” refletido no aumento dos casos de violência doméstica, abuso infantil e alcoolismo. O estabelecimento de rotinas produtivas é de fundamental importância para saúde mental. 
Existem muitos temas a serem estudados. Isso não é um atributo dos especialistas, mas qualquer um, com alguma base, um bom método e disciplina, pode chegar a conclusões interessantes. Temas como saúde pública, segurança, impactos econômicos e sociais (no planeta, nos países, no estado, cidade, na nossa família), política e politização, eleições... são desafios. A verdade é que a pandemia mudou a maneira como trabalhamos, estudamos, nos divertimos, praticamos esportes etc., afetando uns grupos sociais bem mais do que outros. Não sabemos se todas essas mudanças, tão drásticas, vão durar ou se dissipar com o tempo. Espero que aprendamos alguma coisa com isso.



José LAMARTINE de Andrade Lima Neto
 Doutorado em Análise Cognitiva, Psicólogo

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