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De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), quase 58 milhões de pessoas no Brasil têm pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT), o que corresponde a quase metade da população adulta do país. As DCNT são a principal causa de morte e adoecimento no Brasil, em mais de 72% dos casos.
A imprevisibilidade e a inconstância das doenças autoimunes ampliam os desafios emocionais dos pacientes. Essas doenças não afetam apenas o corpo físico. A dor, a insegurança, a ansiedade, a depressão e a discriminação afetam diretamente a saúde mental. Para a psicóloga Milane Correia, “é imprescindível acompanhar o paciente e motivá-lo a manter o tratamento médico, as consultas, a dieta e a atividade física para ajudá-lo a manter o seu estilo de vida em conformidade com o seu estado de saúde”, orienta.
Caracterizado como um distúrbio crônico que faz com que o organismo trabalhe de forma exagerada para defender o organismo, o Lúpus é uma doença inflamatória e autoimune – ataca tecidos saudáveis do próprio corpo, por engano – e atinge rins, pulmões, pele e articulações. O diagnóstico do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), nome científico da doença, é feito por meio de anamnese, exames físicos e laboratoriais. Manchas vermelhas na pele, principalmente no rosto, sensação de cansaço, dores nas articulações, nos músculos, sensibilidade ao Sol, febre, queda de cabelo, inchaço nos pés e ao redor dos olhos são alguns dos principais sintomas da doença, que atinge principalmente mulheres em idade fértil.
A fibromialgia ataca articulações e causa o chamado distúrbio da modulação da dor, que ocorre a partir de uma disfunção do sistema nervoso central (SNC). O diagnóstico é feito por exclusão. Ou seja, ela só é aferida após o médico eliminar a possibilidade de o paciente ter outras doenças com sintomatologias semelhantes: alterações no sono, ansiedade e depressão. Traumas psicológicos ou físicos também podem desencadear a doença, mas as causas ainda não são definidas pela Medicina. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), de cada 10 pacientes com fibromialgia, sete a nove são mulheres.
É possível prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas
Para a Psicologia, é preciso ensinar os pacientes a alimentar a alegria de viver, independente da doença. Se a saúde mental influencia na saúde física, é preciso buscar acompanhamento multidisciplinar (médico clínico, psiquiatra, psicólogo, terapeuta, nutricionista), para que o paciente possa se sentir mais encorajado a enfrentar os seus processos crônicos e conquistar mais consciência.
De uma maneira geral, as doenças crônicas impactam diretamente na saúde mental dos pacientes. Elas ficam mais vulneráveis a depressão e a ansiedade, por exemplo. O Alzheimer, doença degenerativa do cérebro, forma mais comum de demência em pessoas idosas causa perda de memória, dificuldade para se comunicar, controlar as emoções e tomar decisões.
Para o psiquiatra Jefferson Meira, professor de Medicina da UnexMED Jequié, “toda doença crônica exige mais disponibilidade de tempo para o tratamento, incapacita, tira a autonomia do indivíduo, diminui a funcionalidade e o torna dependente de outras pessoas. Tudo isso impacta, de maneira geral, na saúde mental. Mas, não podemos generalizar. Os fatores individuais como personalidade e resiliência também são determinantes”, destaca.
Segundo Milane Correia, coordenadora do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico (NAP) da UnexMED Jequié, “a qualidade de vida é resultado de uma mudança de hábitos alimentares, pensamentos, atitudes e vivências. É como se a pessoa trocasse sua roupagem interna e adquirisse novos comportamentos, habilidades, relacionamentos. O que muda é a maneira como ela passa a vivenciar a sua realidade”, resume.