A derrubada em massa de perfis ligados à cannabis medicinal no Instagram, no último final de semana foi classificada como um ato de censura que prejudica a saúde pública. Cerca de 47 contas, incluindo associações de pacientes, veículos de mídia e ativistas, foram suspensas pela Meta, detentora do Instagram, sem aviso prévio.
Para Amanda Medeiros, médica com certificação internacional em medicina endocanabinoide, a derrubada dos perfis é uma perseguição que já ocorria de forma velada. “O que vimos foi um ato de censura. Uma tentativa de silenciar profissionais que falam sobre cannabis medicinal nas redes, além de pacientes e associações que dependem da mídia para informação”, afirma a médica. A plataforma restringe o uso de algumas palavras como maconha, por exemplo, sob o risco de termos o alcance derrubado, quando mencionadas, completa.
Não há legislação no País que permita a retirada do ar de contas tão importantes para pacientes de cannabis medicinal. “É um desserviço, pois impede que informações corretas cheguem a quem precisa”, destaca.
A repercussão da derrubada dos perfis levou o Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, a cobrar publicamente a Meta. Em suas redes, Teixeira classificou o ato como censura e anunciou que acionaria judicialmente a empresa caso os perfis não fossem restabelecidos. Após a medida, alguns perfis voltaram a funcionar.
A médica elogiou a postura do ministro. “A atitude de Paulo Teixeira, que está ajudando bastante, foi fundamental. Ele pressionou a Meta, postou vídeos e expôs a gravidade da situação. Esperamos que essa ação, que ganha visibilidade por envolver um ministro, reverta não só as derrubadas, mas a política da plataforma, que hoje confunde informação de saúde com apologia”, conclui.
Quem é Dra. Amanda Medeiros
Médica graduada pela Universidade Iguaçu (RJ), com pós-graduações em pediatria, nutrologia pediátrica e psiquiatria da infância e adolescência. Possui certificação internacional em medicina endocanabinoide pela GreenFlower (Califórnia) e avançada em endocanabinologia pelo Instituto Plenos. Com mais de dois mil pacientes ativos, Dra. Amanda prescreve medicamentos à base de canabinoides, atua como mentora de outros médicos e participa de projetos humanitários no Brasil e no mundo.
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