GOOGLE
Não perca nossas próximas notícias
Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
O presidente Michel Temer cometeu uma sucessão de erros na condução da crise dos caminhoneiros. O movimento que parou vários setores no país uniu empresários, empregados e motoristas autônomos em uma mesma causa. A insatisfação generalizada fez com que a população, mesmo diante de problemas no cotidiano causados pela greve, apoiasse a iniciativa. Essas são algumas das conclusões do professor da Unicamp Ricardo Antunes, uma das principais referências do país na chamada sociologia do trabalho, ramo das ciências sociais que estuda as relações nesse universo.
Para Antunes, o governo demorou a identificar a insatisfação dos caminhoneiros e transportadores, cujos sinais já eram dados desde o ano passado. Além disso, diz o acadêmico, negociou com quem não representava a categoria, declarou-se vitorioso antes da hora e, ainda, desafiou os manifestantes ao chamá-los de minoria radical.
“Não é possível que o governo não tenha informação que diga previamente que tem quadro tenso nas estradas. Um governo inteligente chamaria o empresariado para negociar. O governo conseguiu empurrar para o mesmo movimento as empresas e os trabalhadores autônomos”, ressalta. “Os caminhoneiros querem a cabeça de Temer. Pedir sacrifício nessa altura para um governo que não se sacrifica por ninguém, só para os ricos, é uma piada”, acrescenta.
Na avaliação do sociólogo, uma combinação explosiva de fatores mergulhou o governo em sua mais profunda crise: a política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras, o desemprego crescente, o descontentamento da população com a economia e os intermináveis escândalos políticos.
Foi por causa desse conjunto de insatisfações, observa, que o movimento não cessou nem mesmo após o governo e representantes de entidades da categoria anunciarem um acordo. “Se o país estivesse em um momento normal, o movimento teria se encerrado no segundo acordo. Mas aí se abre um terceiro elemento. Essa greve, além da impulsão patronal pelo locaute, teve grande adesão espontânea do caminhoneiro que não se vê representado por essas entidades.”
Fonte: Congresso em Foco.
