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Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
GRAVIDEZ SILENCIOSA: DIAGNÓSTICO TARDIO PODE AFETAR SAÚDE DA MÃE E DO BEBÊ

Saúde

GRAVIDEZ SILENCIOSA: DIAGNÓSTICO TARDIO PODE AFETAR SAÚDE DA MÃE E DO BEBÊ

Ausência de sintomas pode comprometer os cuidados no pré-natal

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A ausência de sinais clássicos pode fazer com que uma mulher atravesse praticamente toda a gestação sem saber que está grávida. Conhecida como gravidez silenciosa, a condição é caracterizada quando o diagnóstico ocorre apenas no terceiro trimestre ou até mesmo no momento do parto. Embora não seja comum, o quadro preocupa especialistas pelos riscos associados à falta de acompanhamento ao longo da gestação.

Segundo a ginecologista Amanda Telles, professora do curso de Medicina da Afya Itabuna, o diagnóstico precoce é determinante para a segurança materna e fetal. “Desde as primeiras semanas, é esperado que a mulher apresente sintomas como náuseas, vômitos, alterações intestinais e ausência de menstruação. Quando esses sinais não aparecem, a gestação pode passar despercebida, o que é preocupante do ponto de vista obstétrico”, explica.

Foi exatamente essa ausência de sinais que marcou a experiência de Olívia Daniela Vieira. “Eu vivia uma vida normal. Consumia álcool e jogava bola, por exemplo, além de menstruar normalmente”, relata. O impacto, segundo ela, vai além do físico. “Foi um choque. Eu tive um mal súbito no trabalho, meus colegas me socorreram e eu descobri no hospital que já estava com 39 semanas e 4 dias de gravidez. Eu não queria acreditar.”

Sem o acompanhamento pré-natal, deixam de ser realizados exames fundamentais para rastrear doenças como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, além da investigação de possíveis malformações fetais. “Iniciar o pré-natal antes da gestação ou logo no início do primeiro trimestre é essencial para uma gestação segura. É nesse período que conseguimos identificar riscos e adotar medidas de prevenção ou tratamento”, destaca Amanda Telles.

Outro ponto de alerta são sinais que podem ser confundidos com situações comuns do dia a dia. “Sangramentos vaginais que a mulher interpreta como menstruação ou um crescimento uterino incompatível com a idade gestacional podem indicar que algo não está evoluindo como esperado. Tudo isso precisa ser avaliado com critério médico”, reforça.

Além dos riscos clínicos, a descoberta tardia impede mudanças importantes na rotina da gestante. Hábitos como o consumo de álcool, tabagismo e a exposição a substâncias com potencial de causar danos ao feto, presentes em medicamentos, cosméticos e até ambientes com radiação, por exemplo, deixam de ser interrompidos a tempo. A prática de atividade física, embora recomendada, também pode exigir adaptações específicas que não são feitas sem o diagnóstico.

O pré-natal também cumpre um papel essencial no acompanhamento emocional e social da gestação. “É fundamental entender como essa mulher está lidando com a gravidez, seu contexto familiar e suas expectativas. Existe um impacto emocional importante, potencializado pelas mudanças hormonais. Quando o parto acontece de forma súbita, sem preparo, aumentam as chances de negação, rejeição e complicações psicológicas e psiquiátricas”, afirma a médica.

Para a Dra. Amanda, nesses casos também é importante investigar se fatores psicológicos podem ter influenciado a não percepção da gestação, o que reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar. A fala de Olívia reforça esse cenário. “Quando eu estava prestes a ter minha bebê, cheguei a pensar em tirar minha vida. Minha depressão só aumentou”. Apesar de tudo, a mãe conta que seu caso surpreendeu familiares e a equipe médica que lhe atendeu: “Mesmo com tudo que aconteceu, eu e minha bebê estávamos super bem. A médica que me atendeu disse que nunca presenciou algo parecido, celebra a mamãe.

Ao identificar uma gestação de forma tardia, a recomendação é procurar atendimento médico imediato para iniciar os cuidados possíveis. Em situações de parto sem assistência, como em casa ou em locais públicos, a orientação é manter a calma e acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo 192. Garantir a segurança da mãe e do bebê e evitar exposições desnecessárias também fazem parte das medidas iniciais até a chegada do socorro.

 

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