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Terça-feira, 11 de Agosto de 2026
REFORMA TRIBUTÁRIA E O EVENTO

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REFORMA TRIBUTÁRIA E O EVENTO "O LEGADO CONTÁBIL": CONFIRA A ENTREVISTA COM JOSEANE PORTUGAL NO JEQUIÉ URGENTE

A especialista enfatizou que o papel do contador se tornará mais estratégico e consultivo, auxiliando negócios na adaptação tecnológica e no planejamento tributário.

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A contadora Joseane Portugal foi a convidada de Márcio Lima e Marcos Cangussu no programa Jequié Urgente, nesta terça-feira, às 7h, na rádio 93 FM. Joseane falou sobre a realização do evento “O Legado Contábil”, que acontece em Salvador nos dias 4 e 5 de setembro. A discussão focou nos impactos da reforma tributária para empresas e profissionais da área, destacando a transição para novos impostos, como o IBS e a CBS. A especialista enfatizou que o papel do contador se tornará mais estratégico e consultivo, auxiliando negócios na adaptação tecnológica e no planejamento tributário. Além disso, ela alertou sobre a importância da antecipação às mudanças legislativas para evitar penalidades e garantir a saúde financeira das organizações. O evento “O Legado Contábil” vai promover o networking e a inovação para debater o futuro da contabilidade e da gestão no Brasil.

 

Leia na íntegra a entrevista com a contadora Joseane Portugal, idealizadora do evento O Legado Contábil:

 

Márcio Lima: Salvador recebe nos dias 4 e 5 de setembro o evento O Legado Contábil, que vai reunir 21 palestrantes e painelistas para discutir a reforma tributária e os desafios do setor contábil. A programação acontece no CECBA, Costa Azul, e também vai abordar temas como gestão, tecnologia, inteligência artificial, inovação e crescimento dos negócios. A iniciativa é idealizada pela contadora e empresária Joseane Portugal. Ela está conosco na linha e vamos ter a satisfação de conversar com ela a partir de agora aqui no programa. Joseane, bom dia, seja bem-vinda à Rádio 93 FM.

 

Joseane Portugal: Bom dia, Márcio! É um prazer estar aqui com vocês.

 

Márcio Lima: Por que que a reforma tributária é um assunto que precisa estar no radar dos empresários e dos profissionais da contabilidade, desde agora?

 

Joseane Portugal: Márcio, a reforma tributária vem com uma mudança significativa, não apenas na forma de pagar imposto, mas envolve gestão e um olhar mais próximo do empresário e do contador, visando mais transparência. Muitos empresários precisam rever contratos e sistemas, mudando toda a temática tributária que vínhamos seguindo, com a criação da CBS, do IBS e do Imposto Seletivo. São muitas mudanças tanto para empresários contábeis quanto para empresários de forma geral.

 

Marcos Cangussu: Bom dia, Joseane! É um prazer falar contigo. Eu acompanhava ontem sobre essa decisão do governo que vai facilitar a vida de muitos empresários, a celeridade no processo da Receita Federal e da declaração dos impostos. Mas temos muitos casos de malha fina por falta de orientação. Vai ter celeridade, mas o papel do contador ainda é predominante para evitar consequências maiores no futuro?

 

Joseane Portugal: Sim, o papel é predominante porque entramos agora em um papel muito mais consultivo. Recomenda-se que a empresa busque fazer um planejamento tributário com seu contador para verificar o impacto dessa reforma. Teremos uma apuração assistida, onde o Fisco olhará mais de perto por causa da tecnologia. A celeridade é mais interna, no sentido da fiscalização, pois já vivemos hoje em um "Big Brother fiscal". O empresário precisará de mais eficiência na gestão para evitar problemas.

 

Márcio Lima: O que muda na prática, Joseane? A partir de 2027 a situação tende a ser mais tensionada? O que muda de fato?

 

Joseane Portugal: Em 2026 estaremos em fase de teste para empresas do Lucro Presumido e Lucro Real, e em 2027 iniciará para todo mundo, incluindo empresas do Simples Nacional. Teremos três novos tributos: CBS, IBS e o IS (Imposto Seletivo). Dependendo da atividade, a empresa pode pagar mais impostos ou ter reduções. É importante se antecipar agora em 2026 fazendo o planejamento. As empresas do Simples Nacional precisam optar agora em setembro se vão querer recolher o IBS e a CBS por fora ou por dentro do Simples a partir de janeiro. A reforma já começou e é necessário organizar a casa agora.

 

Marcos Cangussu: E quanto aos pequenos e médios empresários, como a dona Margarida da pastelaria ou o seu Godofredo do caldo de cana? Como eles serão afetados?

 

Joseane Portugal: O MEI não terá esse impacto imediato em 2027, mas precisará emitir notas fiscais de forma geral. Já as empresas do Simples Nacional (ME) precisam verificar se pagarão mais impostos. É uma análise de "formiguinha", produto por produto. O sistema de emissão de notas deve estar parametrizado corretamente, pois a Receita Federal já alertou que erros na emissão podem gerar multas e penalidades relacionadas à reforma.

 

Márcio Lima: Estou com um documento do Simples Nacional aqui com siglas como IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, ISS e ICMS. O que muda nessas siglas e por que o empresário deve ficar atento?

 

Joseane Portugal: A reforma é sobre o consumo. O PIS e a Cofins serão substituídos pela CBS a partir de 2027. O ICMS (estadual) e o ISS (municipal) serão substituídos pelo IBS. A ideia é o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), trazendo transparência para que o cidadão saiba quanto paga de imposto até em um cafezinho, pois o imposto será por fora. IRPJ e CSLL continuam. A transição completa e a extinção gradual dos impostos antigos devem finalizar em 2033.

 

Marcos Cangussu: E sobre as alíquotas? Já estão definidas para o IBS e a CBS?

 

Joseane Portugal: A alíquota oficial não está definida, mas a estimativa do governo é próxima de 28% (27,91%) juntando os dois. Provavelmente teremos uma definição oficial até dezembro, mas já conseguimos fazer simulações. Em regra geral, muitos podem acabar pagando mais impostos.

 

Márcio Lima: Existe a especulação de que certas profissões vão deixar de existir. Qual será o papel do contador nesse período e por que ele passa a ser mais estratégico?

 

Joseane Portugal: Ouço que o contador vai deixar de existir há 10 anos. Na verdade, nossa atuação mudou: deixamos de ser apenas quem "manda o imposto" para sermos consultores estratégicos. Com a reforma, o empresário verá ainda mais a importância desse trabalho de planejamento. Não há previsão da profissão acabar; pelo contrário, ela está crescendo e contratando muito. É uma área com muitas oportunidades de emprego e crescimento.

 

Marcos Cangussu: E quais os riscos dessa transição para a economia e para a geração de empregos?

 

Joseane Portugal: Toda mudança gera desconforto. O maior risco é o medo fazer empresários fecharem as portas. Além disso, teremos a nova figura do "nanoempreendedor" para pessoas físicas que faturam acima de R$ 40.500, que também precisarão de cadastro. O Fisco está aumentando o alcance e o controle, desde a pessoa física até o grande empresário. Se antes você não pagava imposto sobre um aluguel de imóvel, por exemplo, agora corre o risco de pagar devido à amplitude da reforma.

 

Márcio Lima: Salvador sediará nos dias 4 e 5 de setembro o evento O Legado Contábil, com 21 palestrantes. Como as pessoas podem participar?

 

Joseane Portugal: O evento visa fomentar o empreendedorismo contábil e criar conexões. Teremos mais de 20 palestras sobre marketing, reforma tributária e inteligência artificial. Já temos mais de 400 inscritos da Bahia e de outros estados. Empresários não contábeis também são bem-vindos. Os interessados podem acessar o site legadocontabil.com.br para garantir uma das últimas vagas.

 

Márcio Lima: Joseane Portugal, muito obrigado pela participação e sucesso no evento.

 

Joseane Portugal: Obrigada, pessoal! Abraço.

 

Entenda o que significa cada sigla da Reforma Tributária:

 

PIS: Programa de Integração Social

Cofins: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

CBS: Contribuição sobre Bens e Serviços (federal)

ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (estadual)

ISS: Imposto Sobre Serviços (municipal)

IBS: Imposto sobre Bens e Serviços (subnacional: estados e municípios)

IRPJ: Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas

CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

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