Contudo, o resultado não significa que os animais passaram a ser um risco maior dentro da pandemia. De acordo com a médica veterinária e professora da Rede UniFTC, Cleusa Oliveira Deiró, identificar anticorpos não quer dizer que o animal ficou doente, logo, não muda as recomendações adotadas desde março do ano passado, quando iniciou a pandemia.
“As pesquisas mais recentes mostram que a replicação viral em animais ainda é muito baixa e não é capaz de ter uma carga viral importante a ponto de fazer a transmissão. Logo, ele tem contato com o vírus, que não consegue se replicar adequadamente, mas estimula o sistema imunológico do animal a produzir os anticorpos”, aponta a especialista.
Publicada na revista científica internacional Plos One e divulgada pelo Fiocruz, a pesquisa mostrou que diferentes partes do mundo estão registrando infecções do Sers-Cov-2 em animais, principalmente os de estimação, que vivem em casas com pessoas acometidas pela Covid-19. Os cientistas analisaram amostras de animais levados a duas clínicas veterinárias do Rio de Janeiro entre junho e agosto de 2020. Foram examinados 49 gatos e 47 cachorros, totalizando 96 animais.
Segundo Cleusa, ainda não existe evidência de que o sars-cov-2 possa desenvolver sinais clínicos em animais. O que se sabe é que os animais que foram testados positivos para o vírus desenvolveram sintomas respiratórios e gastrointestinais, comuns a diversas outras doenças. “O que deve ser feito é que estes animais positivos para sars-cov-2 sejam também testados a outras doenças comuns aos animais”, relata.
Cuidados com os animais
Embora não haja evidências de transmissão da Covid-19 pelos animais, os pets podem servir como transportadores do vírus para dentro de casa, da mesma forma que pode acontecer com roupas, máscaras ou sapatos contaminados.
Para isso, a professora da UniFTC recomenda que se evite ao máximo que os animais de estimação saiam de casa ou façam passeios que não sejam necessários. Caso a família já tenha sido contaminada pelo vírus, o ideal seria retirar o bicho da residência para que outra pessoa possa cuidar até passar o isolamento social recomendado pelo médico.
Caso o animal não possa sair de casa, a recomendação é não realizar passeios em hipótese alguma e higienizar sempre as mãos - seja com álcool em gel ou sabão - antes de manusear qualquer utensílio do animal, como o pote de ração.
“Existem práticas que ajudam a evitar que os animais possam ser transportadores do vírus. O que não pode, de maneira alguma, é abandonar o animal. Isso de jeito nenhum”, finaliza a médica veterinária Cleusa Oliveira Deiró.

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