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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
DELAÇÃO REVELA QUE ACM NETO LUCROU R$ 4 MILHÕES COM FUNDO ATRELADO A CONSIGNADOS DO BANCO MASTER

Política

DELAÇÃO REVELA QUE ACM NETO LUCROU R$ 4 MILHÕES COM FUNDO ATRELADO A CONSIGNADOS DO BANCO MASTER

Candidato ao governo da Bahia, que já havia recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag por consultoria, mantinha fundo exclusivo que chegou a concentrar 98,6% do patrimônio em pap

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A proposta de delação premiada entregue à Procuradoria-Geral da República por João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, amplia o envolvimento financeiro de ACM Neto (União Brasil) com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, e cujo controlador, Daniel Vorcaro, foi preso sob acusação de lavagem de dinheiro. Até agora, a relação conhecida do candidato ao governo da Bahia com o banco era a de prestador de serviços: sua empresa, a A&M Consultoria, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag entre o fim de 2022 e maio de 2024, segundo relatórios do Coaf. A delação de Mansur mostra que Neto era, ao mesmo tempo, investidor em produtos originados pelo próprio banco.

Segundo a coluna de Natália Portinari, no UOL, Neto é dono exclusivo do fundo Seattle 95, gerido pela Reag até 2025. Por meio dele, o candidato aplicou cerca de R$ 4,8 milhões no fundo Structure, lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no fundo em dez depósitos. Em outubro do ano passado, o patrimônio havia alcançado R$ 11,94 milhões, um ganho de R$ 4,01 milhões, com rendimento médio de 17% ao ano, muito acima de investimentos tradicionais.

O destino das duas empresas com as quais o candidato manteve relação financeira foi o mesmo. Além do Master, a Reag, administradora do fundo exclusivo de Neto, também foi liquidada pelo Banco Central, em janeiro deste ano, por graves violações às normas do sistema financeiro. Antes disso, a gestora havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou o uso de seus fundos para lavagem de dinheiro do crime organizado, e da Operação Compliance Zero, sobre as fraudes do Master.

 

As aplicações do fundo de Neto no Structure prosseguiram até julho de 2025, quando as duas operações já haviam sido deflagradas.

 

A dupla relação com o grupo se soma a outro dado tornado público em julho. Neto declarou R$ 85 milhões ao TSE, mais que o dobro do patrimônio informado em 2022, com salto impulsionado por aplicação de R$ 9 milhões em fundos da Planner, corretora investigada pela Polícia Federal por suspeita de servir de fachada para operações irregulares ligadas ao Master.

 

A Reag é suspeita de criar negócios de fachada para esconder calotes e lavar dinheiro. Quase todo o investimento do fundo de ACM Neto, cerca de 98%, foi aplicado em único negócio ligado ao Banco Master, operação incomum no mundo dos negócios. A polícia deve investigar se o fundo de ACM Neto foi usado ou beneficiado pelo esquema, e se o lucro obtido veio de operações normais de mercado ou se teve relação com as manobras do banco.

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