Reportagem da Agência Pública, assinada por Caio de Freitas, Dyepeson Martins, Duda Sousa, Ed Wanderley, Maira Escardovelli e Thiago Domenici, colocou o senador Ângelo Coronel, pré-candidato ao Senado na chapa de ACM Neto, no centro do recorte baiano da chamada “bancada das bets”. A investigação mapeou parlamentares que atuaram, direta ou indiretamente, em favor de interesses das casas de apostas online no Congresso. Além de Coronel, aparecem na lista baiana os deputados federais Adolfo Viana, Elmar Nascimento, Paulo Azi, João Bacelar e Cláudio Cajado.
Segundo a Pública, Coronel é apontado como um dos principais defensores do setor de apostas no Senado. O senador relatou, em 2023, o projeto que regulamentou as bets no Brasil e usou a relatoria para reduzir a tributação das operadoras. A cobrança anual sobre a receita líquida das empresas caiu de 18% para 12%, já descontados os prêmios pagos aos apostadores, e o imposto de renda sobre premiações foi cortado pela metade, de 30% para 15%.
A atuação do pré-candidato de ACM Neto também aparece na CPI das Bets. A Agência Pública registra que Coronel foi um dos senadores que votaram contra o relatório final da comissão, rejeitado por 4 votos a 3. O resultado barrou o avanço de indiciamentos e preservou empresários e influenciadores ligados à divulgação de apostas online. Questionado pela reportagem, Coronel disse que continua favorável às apostas, mesmo reconhecendo o problema do vício, e defendeu a legalização como forma de arrecadar recursos para tratar pessoas afetadas pelo jogo.
A presença de Coronel na apuração desloca o tema para dentro da disputa eleitoral da Bahia. Ele não é apenas um senador citado em uma reportagem nacional sobre lobby das bets. É o nome escolhido para disputar uma vaga ao Senado no palanque de ACM Neto, em uma chapa que tenta se apresentar como alternativa de poder no estado enquanto carrega como protagonista um parlamentar associado pela Pública à defesa de um setor marcado por endividamento, vício, publicidade agressiva e pressão bilionária sobre o Congresso.
No mapa baiano da Agência Pública, Adolfo Viana, Elmar Nascimento, Paulo Azi, João Bacelar e Cláudio Cajado completam a lista de parlamentares citados. A reportagem mostra que a força das bets não depende de uma frente formal. Funciona por meio de relatórios, emendas, acordos, pressão sobre lideranças e articulações para reduzir impostos ou impedir regras mais duras contra as empresas do setor.
No plano nacional, a Pública cita nomes como Felipe Carreras, Dr. Luizinho, Isnaldo Bulhões, Ciro Nogueira e Hugo Motta. Um dos episódios relatados foi a retirada da Cide-bets do PL Antifacção, contribuição de 15% que poderia arrecadar cerca de R$ 30 bilhões por ano para a segurança pública. A investigação afirma que Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões atuaram para tirar a cobrança do texto, preservando empresas de apostas e jogos online.
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