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Terça-feira, 06 de Outubro 2026
MAIS DE 11 HECTARES DE ÁREA DA UNIÃO SÃO MANTIDOS EM POSSE DE COMUNIDADE DE MATRIZ AFRICANA DE BRUMADO (BA), APÓS AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO
Justiça

MAIS DE 11 HECTARES DE ÁREA DA UNIÃO SÃO MANTIDOS EM POSSE DE COMUNIDADE DE MATRIZ AFRICANA DE BRUMADO (BA), APÓS AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

DPU atua na defesa da comunidade religiosa para barrar a comercialização de lotes por particulares e construções no local; cinco hectares seguem alvo de disputa

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A Justiça Federal de Vitória da Conquista (BA) homologou decisão na qual reconhece a posse da Sociedade Floresta Sagrada do Alto de Xangô à área de 11 hectares e 600 ares, maior parte do terreno de 16 hectares pretendido pela comunidade, representada pela Defensoria Pública da União (DPU). A medida foi proferida após audiência de conciliação realizada, nessa terça-feira (3), para decidir sobre a posse da área da União localizada em Brumado (BA) e ocupada, há pelo menos 16 anos, pela comunidade. Cerca de cinco hectares de terreno ainda seguem alvo de disputa. Na audiência, a DPU manifestou o interesse da comunidade à posse de toda a área de 16 hectares, sendo o pedido acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF). A União sinalizou que reconhece como legítima a posse aos 11 hectares e 600 ares dispostos no mapa apresentado no processo pela Superintendência de Patrimônio da União (SPU). O juiz federal João Batista de Castro Júnior, então, homologou uma decisão dando posse à comunidade sobre a parte incontroversa e estipulou o prazo de seis meses para que União apresente conclusões administrativas sobre área que segue em disputa, inclusive em relação aos interesses dos réus particulares que também a ocupam.

Atuação da DPU

A situação foi levada ao judiciário, inicialmente, pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) em 2020. Dois anos depois, o caso foi assumido pela DPU, quando foi fixada a competência da Justiça Federal para julgar, em virtude do interesse da União na matéria.Desde então, a DPU vem atuando e expondo as situações de violência, de desrespeito ao meio ambiente e aos cultos religiosos de matriz africana, e até a adulteração cartorial de registros imobiliários da área feito por particulares. A instituição também atuou para barrar o descumprimento da decisão judicial que embargou comercialização de lotes e construções no local.O defensor regional de Direitos Humanos na Bahia, Diego Camargo, comemorou a decisão.“Esse acordo é ato histórico em favor da Comunidade da Floresta Sagrada do Alto de Xangô que, durante anos, teve o seu direito à crença violentado, sofreu perseguições e, mesmo com grande trabalho humanitário e de acolhimento que realiza, não deixou de ser atacada simplesmente pelo fato de cultuar religião de matriz africana”, afirmou o defensor.

 

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