Nos territórios de atuação do Projeto Integrado Pedra de Ferro, iniciativas apoiadas pela BAMIN vêm contribuindo para fortalecer o empreendedorismo feminino e ampliar oportunidades de geração de renda de mães no interior da Bahia.
São trajetórias como as de Edilene Alves, 37 anos, moradora de Caetité, na região da Mina Pedra de Ferro. Casada e mãe de três filhos - um rapaz de 18 anos e duas meninas de 16 e 11 -, ela encontrou na Coopercicli uma oportunidade de reconstruir a própria trajetória e garantir melhores condições para a família.
Apoiada pelo Projeto Circuito do Lixo da BAMIN, a Coopercicli é formada por 39 cooperados e atua há 17 anos na coleta, triagem e comercialização de resíduos sólidos, promovendo geração de renda, inclusão produtiva e sustentabilidade no sertão baiano.
Edilene entrou para a cooperativa em 2010, depois de anos trabalhando como diarista em casas de família. Foi presidente da entidade por dois mandatos seguidos, representando todos os cooperados com muita dedicação. Sempre buscando a melhoria para todos, era admirada pela força de vontade e determinação.
Atualmente integra o Conselho Fiscal da cooperativa que a ajudou a mudar de profissão, dando-lhe também melhores perspectivas. Com o novo trabalho, voltou a estudar e concluiu o ensino médio, algo que parecia distante.
Até entrar na cooperativa, Edilene enfrentou dificuldades. “Hoje, meus filhos têm alimentação à mesa completa. Antes era mais difícil, com muita dificuldade, chegamos a passar fome”, lembra. A renda conquistada, somada à do esposo, ajudou a garantir dignidade no dia a dia da família.
Uma das conquistas mais simbólicas veio com o tempo. “Meu filho mais velho, quando completou 10 anos, me pediu uma bicicleta, mas eu não tinha. Graças ao trabalho na Coopercicli consegui me organizar para dar de presente no aniversário de 13 anos. Ele tem essa bicicleta até hoje”, recorda orgulhosa.
A estabilidade financeira também trouxe segurança habitacional. A família deixou o aluguel e conquistou a casa própria por meio do programa Minha Casa Minha Vida, viabilizada pela renda obtida na cooperativa. Segundo Edilene, a chegada do Circuito do Lixo facilitou. “Com a entrada da Coopercicli no projeto da BAMIN tudo melhorou”, resume.
Os planos para o futuro refletem uma realidade mais estável e cheia de possibilidades. Edilene pretende comprar um carro e iniciar uma faculdade em Segurança do Trabalho nos próximos anos.
“A Coopercicli hoje representa dignidade, força, esperança para a vida de minha família”, conclui.
A história de Elania Borges
Mãe e empreendedora, Elania Borges participa da RIOLESC, iniciativa da BAMIN na região da FIOL1 / Arquivo pessoal
Em Jequié, município por onde passam os trilhos do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL 1), a rotina da empreendedora Elania Borges dos Santos, de 35 anos, é dividida entre a administração da empresa Elania Brindes e Fardamentos e os cuidados com os dois filhos, de 8 e 4 anos. Apoiada pela RIOLESC, iniciativa da BAMIN, ela encontrou no empreendedorismo uma alternativa para ampliar a renda familiar sem abrir mão de acompanhar de perto o crescimento das crianças.
A trajetória da empresa começou há dez anos, de forma simples, na garagem da casa da mãe de Elania. Com dedicação e crescimento gradual da clientela, o negócio conquistou um espaço próprio e hoje funciona em uma loja anexa à residência da empreendedora. Costureira de profissão, ela atua na confecção de uniformes e brindes personalizados, atendendo desde pequenas encomendas até grandes pedidos para empresas, igrejas e congressos. O esposo, sócio na empresa, é responsável pelo design e desenvolvimento das artes.
Apesar da rotina intensa, a empresária destaca que a flexibilidade proporcionada pela atividade permite estar presente em momentos importantes da vida dos filhos. “Consigo participar das consultas médicas, das atividades escolares, das reuniões e apresentações. Isso é muito importante para mim”, afirma.
O contato com a RIOLESC aconteceu em 2025, quando ela forneceu camisas para ações promovidas pela rede. A experiência despertou o interesse em conhecer melhor a iniciativa e participar das capacitações oferecidas remotamente. Para Elania, o formato online também facilitou a organização da rotina familiar.
“Consigo me planejar com as atividades das crianças para participar das aulas. Isso ajuda muito na logística em casa e faz toda a diferença para quem precisa equilibrar trabalho, estudos e maternidade”, conta.
Ao longo da participação na RIOLESC, Elania afirma que aprimorou conhecimentos importantes para a gestão do empreendimento, especialmente na organização financeira, formação de preços e ampliação da rede de contatos. A experiência foi tão positiva que ela decidiu integrar a edição 2026 do projeto.
“O mercado está sempre mudando, então essa é uma oportunidade importante para buscar conhecimento e atualização”, destaca.
A experiência com as aulas remotas da RIOLESC também abriu novos horizontes pessoais e profissionais. Motivada pela boa adaptação ao ensino a distância, Elania iniciou, no segundo semestre de 2025, a graduação em Administração na modalidade EAD.
“Percebi que conseguia acompanhar bem as aulas online e isso me incentivou a buscar uma faculdade. Hoje estou cursando Administração”, afirma.
Ao falar sobre maternidade e empreendedorismo, Elania reconhece os desafios da dupla jornada, mas faz questão de incentivar outras mulheres a persistirem em seus objetivos.
“É cansativo empreender e conciliar a maternidade, mas não podemos focar apenas no cansaço. Precisamos correr atrás dos nossos sonhos, com fé em Deus e determinação. Não desistam”, aconselha.
A trajetória de Cleide Oliveira
Com a marca Delícias da Cleide, Cleide Oliveira integra a incubadora social da BAMIN, no Porto Sul / Arquivo pessoal
Na comunidade do Valão, na zona rural de Ilhéus, a rotina de Cleide Oliveira, de 46 anos, é dividida entre o empreendedorismo, os estudos, a atuação comunitária e a maternidade. Mãe de três filhos, um rapaz de 18 anos e duas adolescentes de 16 e 14, ela encontrou na produção de doces artesanais uma oportunidade de ampliar a renda da família.
Proprietária da marca Delícias da Cleide, a empreendedora produz geleias, cocadas, biscoitos e diversas guloseimas feitas com frutas orgânicas provenientes da agricultura familiar da fazenda do sogro. Embora as geleias sejam o principal produto da marca, Cleide conta que as cocadas costumam ser o grande destaque nas feiras e eventos. “É o que mais vende. Quando participo de eventos, não volta nada para casa”, conta, sorrindo.
A criação da marca aconteceu em 2024, a partir da participação de Cleide na incubadora social da BAMIN, iniciativa desenvolvida na região do Porto Sul para apoiar empreendedores locais. Apesar de já comercializar os produtos informalmente, foi a partir do projeto que o negócio ganhou estrutura mais profissional.
Com a incubadora teve acesso a ferramentas de marketing, gestão do negócio e orientação sobre precificação. "A assessoria do projeto impulsionou o nosso crescimento, ajudou a melhorar as vendas e abriu novas oportunidades. Já fui indicada até para fornecer produtos em eventos da BAMIN fora do estado”, afirma.
Além da atuação no empreendedorismo, Cleide também ocupa o cargo de vice-presidente da Associação dos Pequenos Produtores e Produtoras Rurais do Valão. Paralelamente, segue investindo na formação acadêmica. Atualmente cursa o sétimo semestre da graduação em Administração e já possui formação técnica em Agroindústria.
Conciliar tantas atividades exige organização e persistência. “Sou uma pessoa que não desperdiça oportunidades. Quando elas aparecem, eu me agarro e sigo em frente”, destaca.
A decisão de retomar os estudos veio depois de anos dedicados à maternidade e à família. Cleide conta que teve o primeiro filho aos 27 anos e, durante muito tempo, deixou os projetos profissionais em segundo plano. Aos 39 anos decidiu mudar essa realidade.
“Voltei a estudar. Fiz o curso técnico e depois entrei na faculdade. Como mãe, acredito que precisamos servir de exemplo para os nossos filhos. Eu queria conquistar uma formação acadêmica também por isso”, explica.
Segundo ela, o impacto dessa decisão já pode ser percebido dentro de casa. O filho mais velho atualmente também cursa uma graduação e acompanha de perto a trajetória da mãe empreendedora.
“Hoje eles entendem que, mesmo que o mercado formal seja difícil, também é possível empreender e construir o próprio caminho. A incubadora foi importante para consolidar minha atividade de forma profissional”, afirma.
Ao falar sobre ser mãe, Cleide resume o sentimento em uma mensagem direcionada a outras mulheres. “A maternidade nos enriquece, porque nos ensina a compartilhar amor e ensinamentos para a vida”, conclui.
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